Visto D7

Visto D7 Portugal 2026: Rendimento, Documentos e Processo

Bruna BarretoPor CEO — Bruna Barreto Junho 2026

O que é o Visto D7 e para quem foi criado

O visto D7, criado em 2007, é uma autorização de residência destinada a cidadãos não-comunitários que queiram viver em Portugal sustentados por rendimentos passivos ou remotos — sem necessidade de emprego local. Pensionistas com reforma estrangeira, proprietários com rendas de imóveis, investidores com dividendos regulares, ou profissionais com contratos de trabalho remoto para empresas fora de Portugal são os perfis mais comuns.

Ao contrário do Golden Visa, o D7 não exige um investimento mínimo em Portugal. O que exige é que o candidato prove rendimentos suficientes para se sustentar no país — e que esteja disposto a residir efectivamente em Portugal, passando a maior parte do ano no território.

Rendimento mínimo exigido em 2026

O D7 não tem um valor fixo legalmente definido, mas a prática da AIMA e dos consulados portugueses segue uma referência directamente ligada ao salário mínimo nacional. Em 2026, o salário mínimo nacional é de 1.020 euros mensais, e a referência de rendimento para o D7 situa-se habitualmente nesse valor — com acréscimos para cada membro da família incluído:

  • Requerente principal: aproximadamente 100% do salário mínimo mensal (≈1.020€/mês)
  • Cônjuge ou parceiro: acréscimo de 50% (≈510€/mês adicionais)
  • Cada filho dependente: acréscimo de 30% (≈306€/mês por filho)

Nota: estes valores são referências práticas baseadas na jurisprudência da AIMA e dos consulados. Não existem valores legalmente fixados — a avaliação é casuística e pode variar. Confirme sempre os requisitos actualizados antes de submeter a candidatura.

Tipos de rendimento aceites

O D7 é flexível quanto à origem do rendimento, desde que este seja regular, comprovável e proveniente de fora de Portugal (ou de rendimentos passivos em Portugal). Os tipos mais comuns incluem:

  • Pensões e reformas pagas por sistemas de segurança social estrangeiros
  • Rendimentos de arrendamento de imóveis (em Portugal ou no estrangeiro)
  • Dividendos de participações societárias
  • Juros e rendimentos de investimentos financeiros
  • Royalties e rendimentos de propriedade intelectual
  • Rendimentos de trabalho remoto para entidades empregadoras fora de Portugal

Os rendimentos de trabalho remoto para empresas estrangeiras são tecnicamente aceites no D7, mas convém notar que existe um visto específico para este perfil — o D8, criado em 2022 — que pode ser mais adequado dependendo da situação concreta.

Documentos necessários para a candidatura

A documentação exigida para o D7 divide-se em dois momentos: o pedido de visto no consulado português do país de residência, e o pedido de autorização de residência à AIMA depois de chegar a Portugal.

Para o visto D7 (no consulado):

  • Passaporte válido com validade mínima de três meses após a data prevista de entrada
  • Fotografia recente tipo passe
  • Comprovativo de meios de subsistência (extractos bancários, recibos de pensão, declarações de rendimentos)
  • Comprovativo de alojamento em Portugal (contrato de arrendamento, escritura de imóvel, ou carta de convite)
  • Registo criminal do país de origem, apostilado, emitido há menos de três meses
  • Seguro de saúde com cobertura em Portugal válido durante a estadia
  • Formulário de candidatura ao visto preenchido

Para a autorização de residência (na AIMA, após chegada a Portugal):

  • Visto D7 válido
  • Passaporte
  • NIF português
  • Comprovativo de morada em Portugal
  • Comprovativo de rendimentos actualizados
  • Registo criminal actualizado (pode ser exigido novamente)

O processo passo a passo

Passo 1 — Preparação: reunir toda a documentação, abrir conta bancária em Portugal (pode ser feito online em alguns bancos), obter NIF.

Passo 2 — Visto no consulado: agendar e comparecer ao consulado português do país de residência com a documentação completa. O prazo de emissão do visto varia por consulado — entre duas semanas e vários meses dependendo da carga de trabalho.

Passo 3 — Chegada a Portugal: o visto D7 permite a entrada e permanência em Portugal por quatro meses, durante os quais o titular deve submeter o pedido de autorização de residência à AIMA.

Passo 4 — Pedido de autorização de residência à AIMA: submissão do pedido com a documentação completa. A AIMA emite uma confirmação de submissão que funciona como comprovativo de residência legal durante o processo.

Passo 5 — Agendamento de biometria e emissão do título: após validação do pedido, é agendada a recolha de biometria e emitido o título de residência.

Permanência mínima em Portugal

Ao contrário do Golden Visa — que exige apenas sete dias por ano —, o D7 pressupõe residência efectiva em Portugal. Não existe um mínimo legalmente definido em número de dias, mas a AIMA exige que o titular demonstre que Portugal é efectivamente o seu país de residência principal. Ausências prolongadas (superiores a seis meses consecutivos, ou a oito meses não consecutivos em cada ano) podem comprometer a renovação do título.

Prazo para a cidadania

Com a nova lei da nacionalidade em vigor desde maio de 2026, o D7 tem os mesmos prazos de naturalização que o Golden Visa: sete anos para cidadãos da UE e CPLP, dez anos para as demais nacionalidades. A diferença prática é que, no D7, o tempo em Portugal é efectivamente vivido — o que pode facilitar o cumprimento de outros requisitos de naturalização, como o nível de língua portuguesa.

D7 vs Golden Visa: a escolha certa depende do perfil

O D7 é a melhor opção para quem quer realmente mudar-se para Portugal e tem rendimentos passivos regulares sem necessitar de capital para investimento. O Golden Visa é mais adequado para quem quer manter a vida fora de Portugal e tem capacidade de investimento. Leia a nossa comparação detalhada em Golden Visa vs D7: qual visto escolher para morar em Portugal.

Perguntas Frequentes

Tem dúvidas sobre a sua elegibilidade para o D7?

Os requisitos de rendimento, a documentação aceite e o processo variam consoante o país de origem e a situação familiar. A nossa equipa pode ajudar a esclarecer o seu caso específico.