Uma das perguntas mais frequentes de brasileiros a considerar o Golden Visa ou outras vias de residência em Portugal é esta: se obtiver a cidadania portuguesa, perco a cidadania brasileira? A resposta é não. O Brasil permite explicitamente a dupla cidadania — um brasileiro pode obter a cidadania portuguesa e manter a sua nacionalidade brasileira, tendo simultaneamente os dois passaportes válidos.
A Constituição Federal brasileira de 1988 proíbe, em regra, a acumulação de nacionalidades — mas estabelece excepções expressas. A excepção mais relevante para este contexto é a do artigo 12, §4º, inciso II, alínea "b": um brasileiro não perde a sua nacionalidade quando adquire outra cidadania por naturalização em país que imponha a naturalização como condição para a permanência no seu território ou para o exercício de direitos civis.
Portugal é, para estes efeitos, exactamente esse país: a naturalização em Portugal é uma via de aquisição voluntária de cidadania, não uma imposição. Por isso, a naturalização portuguesa por um brasileiro é, na prática, amplamente aceite como compatível com a manutenção da cidadania brasileira — e a imensa maioria dos brasileiros naturalizados portugueses mantém ambas as nacionalidades sem qualquer problema.
Portugal, do seu lado, não obriga à renúncia da nacionalidade anterior para conceder a cidadania portuguesa. Um candidato brasileiro que se naturalize português mantém os seus direitos e deveres como cidadão brasileiro — incluindo, se residir em Portugal, eventuais obrigações de declaração de bens ao Estado brasileiro e o serviço militar (para quem ainda estiver sujeito).
Ter simultaneamente o passaporte brasileiro e o passaporte português (europeu) tem implicações práticas muito concretas:
Ter dois passaportes não significa ter obrigações nulas em nenhum dos países. Um brasileiro com cidadania portuguesa continua a ter obrigações fiscais no Brasil se aí tiver rendimentos ou bens — e pode ter obrigações fiscais em Portugal se aí residir e for considerado residente fiscal. A dupla cidadania não é, por si só, um mecanismo de optimização fiscal: a situação fiscal de cada pessoa depende de onde reside, onde obtém rendimentos, e do que dizem os tratados fiscais aplicáveis.
Nota: a dupla cidadania Brasil-Portugal é juridicamente possível e amplamente praticada. Mas as obrigações fiscais, de previdência e outras que decorrem de cada cidadania devem ser analisadas com assessoria especializada, consoante a situação concreta de cada pessoa.
Há várias vias para um brasileiro obter a cidadania portuguesa:
A via certa depende do seu estatuto de residência, da sua ascendência e do seu horizonte temporal. A nossa equipa pode ajudá-lo a definir o caminho mais rápido e adequado.
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