Visto D8

Visto D8 Portugal 2026: Requisitos para Nómadas Digitais

Bruna BarretoPor CEO — Bruna Barreto Junho 2026

O que é o visto D8 e porque foi criado

O visto D8 foi criado em 2022 para responder a uma realidade que o D7 não cobria bem: o crescimento dos nómadas digitais e dos profissionais que trabalham remotamente para empresas estrangeiras enquanto vivem em Portugal. Tecnicamente, o trabalho remoto pode ser declarado no D7, mas o D8 foi desenhado especificamente para este perfil — com requisitos adaptados e um enquadramento legal mais claro para quem trabalha por conta de outrem ou como freelancer para clientes fora de Portugal.

Quem pode candidatar-se ao D8

O D8 destina-se a cidadãos não-comunitários que:

  • Trabalhem remotamente por conta de outrem para uma empresa ou entidade com sede fora de Portugal; ou
  • Sejam freelancers ou prestadores de serviços independentes com clientes predominantemente fora de Portugal

O visto não se destina a quem pretende procurar emprego local em Portugal — para isso existem outros tipos de visto. O D8 pressupõe que a fonte de rendimento já existe e está estabelecida antes da candidatura.

Requisitos de rendimento em 2026

Tal como o D7, o D8 não tem um valor mínimo legalmente fixado, mas a referência prática aponta para rendimentos mensais de pelo menos 3.480 euros — correspondentes a quatro vezes o salário mínimo nacional em 2026. Esta é a referência que os consulados portugueses utilizam com mais frequência para avaliar a suficiência de rendimentos no D8.

Para freelancers, o rendimento pode ser demonstrado através de extractos de conta, contratos de prestação de serviços, facturas emitidas, ou declarações de rendimentos do país de origem. Para trabalhadores por conta de outrem, um contrato de trabalho com empresa estrangeira e os últimos recibos de vencimento são habitualmente suficientes.

Nota: a avaliação de rendimentos no D8 pode variar entre consulados. Alguns consulados têm sido mais flexíveis na interpretação deste requisito do que outros. Confirme os critérios aplicados pelo consulado do seu país de residência antes de submeter.

Documentos necessários

  • Passaporte válido
  • Fotografia recente tipo passe
  • Comprovativo de actividade profissional remota (contrato de trabalho com entidade estrangeira, ou contratos de prestação de serviços com clientes fora de Portugal)
  • Comprovativo de rendimentos dos últimos três a seis meses (extractos bancários, recibos de vencimento, ou facturas)
  • Comprovativo de alojamento em Portugal
  • Seguro de saúde com cobertura em Portugal
  • Registo criminal apostilado, emitido há menos de três meses
  • NIF português

D8 vs D7: qual escolher para trabalho remoto

Esta é uma dúvida frequente. A distinção prática mais relevante está no tipo de rendimento e no perfil profissional. O D7 é mais adequado para rendimentos verdadeiramente passivos — pensões, rendas, dividendos — ou para situações em que o trabalho remoto representa uma componente menor do rendimento total. O D8 é mais adequado para quem tem no trabalho remoto a fonte principal de rendimento, seja como empregado de empresa estrangeira ou como freelancer com clientes internacionais. A leitura da nossa comparação detalhada em D7 vs D8: qual o melhor visto para quem trabalha remotamente pode ajudar a clarificar.

Permanência em Portugal e renovação

O D8 pressupõe residência efectiva em Portugal — à semelhança do D7. O visto inicial tem validade de quatro meses (para solicitar a autorização de residência junto da AIMA após a chegada), e o título de residência emitido tem validade de dois anos, renovável. Ausências prolongadas do território podem comprometer a renovação.

Portugal como destino para nómadas digitais: o contexto mais amplo

Portugal tornou-se um dos destinos europeus mais atractivos para nómadas digitais nos últimos anos — com Lisboa e o Porto consistentemente no topo das listas globais. O custo de vida relativamente acessível face a outros países europeus ocidentais, a qualidade de vida, o clima, e a infraestrutura de coworking são factores que contribuem para isso. O D8 foi criado precisamente para formalizar esta realidade e oferecer um enquadramento legal claro a quem quer fazer de Portugal a sua base.

Não tem a certeza se o D8 ou o D7 se adequa melhor à sua situação?

O visto certo depende do seu tipo de contrato, da origem do rendimento e dos seus planos de residência em Portugal. A nossa equipa pode ajudá-lo a identificar a melhor via.