Com o prazo de naturalização a subir de 5 para 7 ou 10 anos, com 94,7 milhões de euros a saírem dos fundos de Golden Visa nos primeiros cinco meses de 2026, e com mais de 1.200 investidores a contestar judicialmente a nova lei — é razoável questionar: o Golden Visa ainda compensa para quem quer um passaporte europeu?
A resposta honesta é: depende de quem está a perguntar. O Golden Visa continua a fazer sentido para alguns perfis. Para outros, a relação custo-benefício mudou o suficiente para que valha a pena reconsiderar. Este artigo faz essa distinção.
O que não mudou
Antes de avaliar o que mudou, é importante ter claro o que permanece igual:
O programa de Golden Visa em si não foi alterado — os requisitos de investimento, os direitos de residência, a permanência mínima e o acesso ao Schengen são os mesmos
O passaporte português continua a ser um dos mais valiosos do mundo, com acesso a mais de 185 destinos
Portugal continua a ser membro da UE e do espaço Schengen
A naturalização portuguesa continua a conferir a cidadania europeia plena, com direito de residência e trabalho em qualquer país da UE
O que mudou — e o impacto real
O que mudou foi o prazo. E o prazo importa muito para quem tem o passaporte como objectivo principal.
Para cidadãos americanos, emiradenses, indianos e a maioria das outras nacionalidades não-CPLP/UE: o prazo de naturalização passou de 5 para 10 anos (a contar da emissão do cartão). Somando o tempo de processamento, o horizonte total até ao passaporte é de 12 a 13 anos a partir da decisão de investir. Antes da lei, era de 6 a 7 anos.
Para cidadãos brasileiros e de outros países CPLP: o prazo de naturalização passou de 5 para 7 anos. O impacto é menor — a vantagem CPLP continua a existir, e o prazo total desde a decisão até ao passaporte é de 8 a 9 anos.
Para quem o Golden Visa ainda faz muito sentido
Quem quer residência europeia sem mudar de vida. O Golden Visa exige apenas 7 dias por ano em Portugal. Para quem quer a residência e a mobilidade Schengen sem relocalização, o programa continua a ser um dos mais flexíveis do mundo — e a lei de 2026 não alterou esta dimensão.
Cidadãos CPLP (especialmente brasileiros). Com um prazo de 7 anos e o bónus da língua partilhada, o Golden Visa continua competitivo. Para os brasileiros, o Tratado Luso-Brasileiro (via do estatuto de igualdade) pode ainda encurtar este prazo para 2 anos em determinadas condições.
Quem tem ascendência portuguesa. Se existe cidadania por ascendência disponível, o Golden Visa pode ser complementar — mas a ascendência merece ser investigada primeiro.
Quem quer incluir a família. A inclusão de cônjuge, filhos e pais no mesmo processo, com a mesma residência, é uma das características mais valorizadas do Golden Visa e não foi alterada.
Quem tem um horizonte de planeamento longo. Para investidores com filhos mais novos ou que pensam a 10–15 anos, a alteração do prazo tem menos impacto do que para quem esperava cidadania rápida.
Para quem o Golden Visa passou a ser menos atractivo
Quem queria cidadania europeia em 5–6 anos. Este perfil foi o mais afectado pela lei de 2026. O horizonte passou para 12–13 anos para a maioria das nacionalidades.
Quem compara com alternativas como a Grécia. O Golden Visa grego exige imobiliário (o que pode ser uma vantagem para alguns), tem a presença efectiva como requisito de naturalização, mas o limiar de entrada é mais baixo (€250k a €800k consoante a zona). A comparação merece ser feita com base nos objectivos específicos de cada pessoa.
Quem entrou no programa primordialmente pelo argumento da cidadania rápida. Se o passaporte era o objectivo central e o prazo era o argumento decisivo, a recalibração é necessária.
A perspectiva do investimento financeiro
O Golden Visa não é apenas um instrumento de mobilidade — é também um investimento. Os fundos CMVM elegíveis têm retorno potencial (positivo ou negativo), e o capital é recuperado após o período mínimo de detenção. Para investidores que avaliam o Golden Visa como combinação de investimento + residência + futura opção de cidadania, a alteração do prazo de cidadania não elimina o valor da componente de investimento e residência.
Conclusão: não é uma resposta única para todos
O Golden Visa em 2026 continua a ser um dos programas de residência por investimento mais bem estruturados da Europa. O que mudou é o seu posicionamento: era simultaneamente um programa de residência e um caminho relativamente rápido para a cidadania. Hoje, é ainda um excelente programa de residência europeia — mas o caminho para a cidadania é mais longo e requer planeamento a prazo mais alargado.
A reconsiderar se o Golden Visa ainda corresponde aos seus objectivos?
A resposta depende da sua nacionalidade, expectativas de prazo, situação familiar e perfil de investimento. A nossa equipa pode ajudá-lo a tomar uma decisão informada.