A lei da nacionalidade mudou em maio de 2026 — de forma inesperada para muitos investidores, que tinham planeado os seus processos com base no prazo de 5 anos vigente desde 2012. É natural que quem está agora a ponderar o Golden Visa, ou que já o tem, se pergunte: o que acontece ao meu Golden Visa se a lei mudar outra vez? Posso perder o que já investi? Os meus direitos estão protegidos?
Este artigo responde a estas questões com base no que a lei portuguesa e o direito europeu efectivamente garantem — e naquilo que não garantem.
O título de residência (o cartão físico emitido pela AIMA) confere direitos legais que não podem ser retirados enquanto o titular cumprir as condições do programa. Em concreto:
Resumo prático: alterações à lei da nacionalidade não afectam os seus direitos de residência actuais. Podem, contudo, afectar o prazo para naturalização — como demonstrou a Lei Orgânica n.º 1/2026.
O que a lei de 2026 demonstrou é que o prazo de naturalização — o número de anos de residência legal necessários para pedir a cidadania — pode ser alterado por decisão política, sem aviso prévio e com aplicação às situações em curso. Esta é a dimensão mais vulnerável do programa para os titulares de Golden Visa.
Em teoria, o prazo de naturalização poderia:
A contestação jurídica em curso argumenta que a alteração retroactiva viola o princípio da protecção das expectativas legítimas — mas este argumento ainda não foi testado nos tribunais portugueses no contexto específico do Golden Visa.
Para além da lei da nacionalidade, o programa de Golden Visa em si pode ser alterado. O que a história do programa mostra:
Com base na situação actual, o risco mais provável não é o encerramento do programa — mas sim alterações adicionais às condições de acesso à cidadania ou aos requisitos de renovação. O governo português tem, desde 2022, adoptado uma postura de restrição progressiva do programa (eliminação do imobiliário, alargamento do prazo de naturalização). A tendência europeia geral também vai no sentido de maior restrição.
Para os titulares actuais, o risco mais imediato é que a regulamentação da Lei Orgânica n.º 1/2026 — que o governo tem até agosto de 2026 para publicar — contenha disposições desfavoráveis para os pedidos de naturalização em curso.
O Golden Visa português existe desde 2012. Em 14 anos, sobreviveu a pressões políticas internas e europeias, a um processo de infracção da Comissão Europeia (relativo ao imobiliário em zonas de alta densidade), à pandemia, e a múltiplas discussões parlamentares sobre o seu encerramento. O programa foi reformulado mas não encerrado. Isso não garante que continuará indefinidamente — mas oferece alguma perspectiva sobre a sua resiliência histórica.
Perceber o que está protegido, o que pode mudar e como se posicionar é exactamente para isso que serve a assessoria jurídica independente. A nossa equipa pode ajudá-lo a avaliar a sua exposição específica.
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